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domingo, 28 de setembro de 2014

JÓ-6- SALMO-39


Então Jó respondeu:
2 "Se tão somente pudessem
pesar a minha aflição
e pôr na balança a minha desgraça!
3 Veriam que o seu peso é maior
que o da areia dos mares.
Por isso as minhas palavras
são tão impetuosas.
4 As flechas do Todo-poderoso
estão cravadas em mim,
e o meu espírito suga delas o veneno;
os terrores de Deus
me assediam.
5 Zurra o jumento selvagem
se tiver capim?
Muge o boi se tiver forragem?
6 Come-se sem sal
uma comida insípida?
E a clara do ovo, tem algum sabor?
7 Recuso-me a tocar nisso;
esse tipo de comida
causa-me repugnância.
8 "Se tão somente fosse atendido
o meu pedido,
se Deus me concedesse o meu desejo,
9 se Deus se dispusesse a esmagar-me,
a soltar a mão protetora
e eliminar-me!
10 Pois eu ainda teria o consolo,
minha alegria
em meio à dor implacável,
de não ter negado
as palavras do Santo.
11 "Que esperança posso ter,
se já não tenho forças?
Como posso ter paciência,
se não tenho futuro?
12 Acaso tenho a força da pedra?
Acaso a minha carne é de bronze?
13 Haverá poder que me ajude
agora que os meus recursos se foram?
14 "Um homem desesperado
deve receber
a compaixão de seus amigos,
muito embora ele tenha abandonado
o temor do Todo-poderoso.
15 Mas os meus irmãos enganaram-me
como riachos temporários,
como os riachos que transbordam
16 quando o degelo os torna turvos
e a neve que se derrete os faz encher,
17 mas que param de fluir
no tempo da seca
e no calor desaparecem
dos seus leitos.
18 As caravanas se desviam
de suas rotas;
sobem para lugares desertos
e perecem.
19 Procuram água
as caravanas de Temá,
olham esperançosos
os mercadores de Sabá.
20 Ficam tristes,
porque estavam confiantes;
lá chegaram tão somente
para sofrer decepção.
21 Pois agora vocês
de nada me valeram;
contemplam minha temível situação
e se enchem de medo.
22 Alguma vez pedi a vocês
que me dessem alguma coisa?
Ou que da sua riqueza
pagassem resgate por mim?
23 Ou que me livrassem
das mãos do inimigo?
Ou que me libertassem das garras
de quem me oprime?
24 "Ensinem-me,
e eu me calarei;
mostrem-me onde errei.
25 Como doem as palavras verdadeiras!
Mas o que provam
os argumentos de vocês?
26 Vocês pretendem corrigir o que digo
e tratar como vento
as palavras de um homem
desesperado?
27 Vocês seriam capazes
de pôr em sorteio o órfão
e de vender um amigo
por uma bagatela!
28 "Mas agora,
tenham a bondade
de olhar para mim.
Será que eu mentiria
na frente de vocês?
29 Reconsiderem a questão,
não sejam injustos;
tornem a analisá-la,
pois a minha integridade
está em jogo.
30 Há alguma iniquidade em meus lábios?
Será que a minha boca
não consegue discernir a maldade? 
 "Você sabe quando
as cabras monteses dão à luz?
Você está atento quando a corça
tem o seu filhote?
2 Acaso você conta os meses
até elas darem à luz?
Sabe em que época
elas têm as suas crias?
3 Elas se agacham,
dão à luz os seus filhotes,
e suas dores se vão.
4 Seus filhotes crescem nos campos
e ficam fortes;
partem, e não voltam mais.
5 "Quem pôs em liberdade
o jumento selvagem?
Quem soltou suas cordas?
6 Eu lhe dei o deserto como lar,
o leito seco de lagos salgados
como sua morada.
7 Ele se ri da agitação da cidade;
não ouve os gritos do tropeiro.
8 Vagueia pelas colinas
em busca de pasto
e vai em busca daquilo
que é verde.
9 "Será que o boi selvagem consentirá
em servir você?
E em passar a noite ao lado dos cochos
do seu curral?
10 Poderá você prendê-lo
com arreio na vala?
Irá atrás de você arando os vales?
11 Você vai confiar nele,
por causa da sua grande força?
Vai deixar a cargo dele
o trabalho pesado
que você tem que fazer?
12 Poderá você estar certo
de que ele recolherá o seu trigo
e o ajuntará na sua eira?
13 "A avestruz
bate as asas alegremente.
Que se dirá então das asas
e da plumagem da cegonha?
14 Ela abandona os ovos no chão
e deixa que a areia os aqueça,
15 esquecida de que um pé
poderá esmagá-los,
que algum animal selvagem
poderá pisoteá-los.
16 Ela trata mal os seus filhotes,
como se não fossem dela,
e não se importa se o seu trabalho
é inútil.
17 Isso porque Deus
não lhe deu sabedoria
nem parcela alguma de bom senso.
18 Contudo, quando estende as penas
para correr,
ela ri do cavalo
e daquele que o cavalga.
19 "É você que dá força ao cavalo
ou veste o seu pescoço
com sua crina tremulante?
20 Você o faz saltar como gafanhoto,
espalhando terror
com o seu orgulhoso resfolegar?
21 Ele escarva com fúria,
mostra com prazer a sua força
e sai para enfrentar as armas.
22 Ele ri do medo e nada teme;
não recua diante da espada.
23 A aljava balança ao seu lado,
com a lança e o dardo flamejantes.
24 Num furor frenético
ele devora o chão;
não consegue esperar
pelo toque da trombeta.
25 Ao ouvi-lo, ele relincha:
'Eia!'
De longe sente cheiro de combate,
o brado de comando
e o grito de guerra.
26 "É graças à inteligência que você tem
que o falcão alça voo
e estende as asas rumo ao sul?
27 É por sua ordem
que a águia se eleva
e no alto constrói o seu ninho?
28 Um penhasco é sua morada,
e ali passa a noite;
uma escarpa rochosa é a sua fortaleza.
29 De lá sai ela em busca de alimento;
de longe os seus olhos o veem.
30 Seus filhotes bebem sangue,
e, onde há mortos, ali ela está".
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